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MAIS QUE UM ESTILO DE VIDA: SLOW LIVING

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Por Lila Guimarães @cenacrua Slow living

Quando pensamos em “slow living” (a tradução aproximada para o português é “vida lenta”) imaginamos um estilo de vida para poucos . Pode até ser, ainda, mas a sua proposta é revolucionária e pretende funcionar para todos. Por ser uma filosofia com bases bem concretas, a desaceleração sugerida abre portas para uma forma de viver mais consciente, vira chaves no pensamento e na atitude, constrói outras dinâmicas e ritmos. Não romantizar o movimento é o pulo do gato para torná-lo mais acessível e real. Para além das hashtags (#) e do que parece ser, vamos olhar para o que de fato é o slow living e como ele pode ser uma inspiração para vivermos melhor e com menos impacto ambiental.

Primeiro é fundamental a consideração dos seus pilares: o Essencialismo e o Minimalismo, conceitos parecidos e complementares. O Minimalismo surgiu na arte como uma expressão visual que valoriza poucos elementos. Quando ele passa a ser uma referência no nosso cotidiano, está relacionado com menos consumo, menos compromissos. É também sobre economia e a diminuição da quantidade de coisas e eventos. Sobre evitar o desperdício de recursos naturais e energéticos. O Essencialismo exige autoconhecimento e tem como principal ponto a escolha estratégica entre tudo o que temos disponível - e hoje podemos dizer que temos o mundo na palma da mão - numa “busca disciplinada por menos para darmos a nossa contribuição máxima, fazendo apenas o essencial”, segundo Greg McKeown no seu livro “Essencialismo”, título dos mais vendidos do New York Times.

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Mas como filtrar e encontrar o que realmente é essencial em todas as esferas da vida? Trabalho, relações, compras, casa, vida social, cultura, lazer, demandas mil…. Sim, para tudo isso é preciso um olhar que separa o “ruído” daquilo que realmente importa e faz sentido. É preciso também uma pitada de silêncio, calma, vazio e respiro. É individual, particular, mas pede algum grau de organização ou um padrão de comportamento desconfiado. Para os “essencialistas” a jornada é criteriosa, pede avaliações, explorações mentais, mas pretende ser mais leve conforme aprendemos os caminhos.

 

Criar o hábito de analisar as possibilidades sob vários ângulos, vislumbrar seus desdobramentos, sempre tendo em vista seus objetivos é uma das maneiras de escolher melhor por nós e pelo mundo. Fazer perguntas em torno de situações das mais corriqueiras às mais complexas pode parecer chato, mas é parte de um processo pela liberdade e maior autonomia. Dizer não, desapegar, compreender o que é prioridade são alguns dos aprendizados do livro aplicáveis num modo de vida mais saudável e sustentável.

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“A palavra prioridade deveria significar a primeiríssima coisa, a mais importante. No século XX, pluralizamos o termo e começamos a falar em prioridades”, o autor pontua. Esse é um dos motivos pelos quais toda uma geração trabalha sob intensa pressão interna e externa. Nossas escolhas também precisam ser validadas quase que em tempo real pelas pessoas que fazem parte da nossa comunidade, principalmente a virtual. Aumentamos a carga e a quantidade de pratos para equilibrarmos, assumimos a posição de super-heróis que vivem em alta produtividade e performance. O resultado são os casos de burnout cada vez mais comuns e acentuados com a pandemia.

 

Essa sobrecarga também afeta o planeta e ameaça uma crise climática séria. Por isso a importância de movimentos afins como o slow food, slow beauty, slow blogging. Em resumo, a ideia é restaurar um ritmo possível e para aqueles que ainda podem achar tudo isso anacrônico, vale a citação da Michelle Prazeres, idealizadora do Desacelera São Paulo e do festival de cultura slow Dia sem Pressa: “Desacelerar não é ser devagar. É recobrar os sentidos, sair do automático. Humanizar.”

 

Por fim, o slow living quer resgatar aquilo que faz nossos olhos brilharem, nossos propósitos, talentos. Aliva a desordem, o caos. Dá voz à criatividade, intuição, deixa as sutilezas mais aparentes. Não deve ser como moda ou obrigação porque o principal é achar um equilíbrio funcional e longevo que assegure saúde mental e emocional, individual e coletiva. O slow living é um conhecimento. Viver com menos gastos, menos estresse, menos frustração tendo mais espaço e tempo para estar presente em cada momento, assumindo a simplicidade de ser, de ter e oferecer bem-estar.

 Creme Mont Blanc para as mãos

As referências e materiais sobre o tema são infinitos, mas deixo aqui fontes preciosas como os dois documentários na Netflix “Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes” e “Minimalismo já”, da dupla Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, também autores do blog The Minimalists onde você pode baixar um calendário com um desafio de desapego de 30 dias. Se você gosta dessas provocações, no final do livro “Essencialismo” tem um jogo de 21 dias. Os Guias Slow Living, da publicação brasileira especializada no assunto Review comandada pela jornalista Bruna Miranda, estão disponíveis gratuitamente online. Do ativista ambiental e pensador indígena Ailton Krenak, os livros “A vida não é útil” e “Ideias para adiar o fim do mundo” são essenciais (es-sen-ciais, como é bom usar esta palavra sem ser leviana, acho que a pauta sugerida pela Terral me pegou!).

 

 

 

 

 

 

 

 


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